Sunday, 20 May 2012

Risoto de Frango com Cogumelo e Pinhão

Esse ficou bom, sem querer me gabar. Junto com o Pollo com Avocado eu já me garanto por dois rounds em programas do tipo Top Chef, Hell's Kitchen! A execução é facil, só necessita um pouco de tempo principalmente pelo pinhão (uma panela de pressão ajuda nessa hora).

Risoto de Frango com Cogumelo e Pinhão

Ingredientes (para 4 porções):

- 300g de pinhão
- 250g de peito de frango
- 150g de cogumelos frescos tipo Paris (Champignon) ou Portobello cortados em fatias finas
- 2 chícaras de arroz tipo arbóreo
- 1 cebola média picada
- 4 dentes de alho picados
- 2 colheres de manteiga
- Óleo
- 2 ramos de alecrim fresco de 10cm
- 1 punhado de ramos de tomilho fresco
- 2 cubos de caldo de frango
- 350ml de vinho branco seco
- água
- sal e pimenta à gosto

Preparo:

Coloque o pinhão para cozinhar coberto com água. O tempo de cozimento vai variar conforme o tamanho do fogo, se utilizar panela de pressão, etc. Fiz em panela comum e levou 1hr e 30min. Adicione um punhado de sal nos ultimos 10 minutos. Após cozido, retire da casca, corte cada pinhão em 2 ou 3 partes, e reserve. Sugiro que prove um pedacinho de cada pinhão, para não correr o risco de utilizar um que esteja com gosto ruim.

Enquanto isso cozinhe o peito de frango inteiro em outra panela, coberto de água. Adicione 1 ramo de alecrim, metade dos ramos de tomilho e 1 cubo de caldo de frango. Cozinhe fervendo por 30 minutos. Desfie o frango com um garfo e reserve. A água que sobrou pode ser utilizada para adiconar no cozimento do arroz . Neste caso coe o excesso de gordura e reserve o líquido.

Numa panela grande ou frigideira funda aqueça 1 colher de manteiga com um pouco de óleo e adicone os cogumelos. Reserve a água que eles soltarão, ela dá todo o gosto. Deixe os cogumelos grelhar com a panela sempre sem liquido até que fiquem dourados. Reserve os cogumelos junto com líquido.

Na mesma panela aqueça o resto da manteiga mais um pouco de óleo. Adicione a cebola, o alho e o pinhão. Doure por 2 minutos e adicione na sequencia o vinho e o frango. Mexa e deixe evaporar o vinho por 2 minutos.

Adicione o arroz, o segundo cubo de caldo de frango e cubra com água (ou utilize a água que sobrou da fervura do frango, se faltar complete com água normal). Mexa constantemente e reponha a água nunca deixando secar e grudar no fundo da panela. Cozinhe por 10 a 12 minutos até que o arroz esteja no ponto. No final adicione os cogumelos com o liquido, acerte o sal, e um pouco de pimenta não faz mal a ninguém.

Voilá! Sirva numa prato decorado com o resto dos ramos de tomilho.







Sunday, 11 March 2012

2011 Amaral Music Awards

Pheeeew! 2011, um ano e tanto. Para o mundo e especialmente para mim. Como sempre aquele lamento que não consegui ouvir muita música nova e bla bla bla. 2012 vai ser diferente, apesar de já ser 11 de Março eu não ouvir um disco deste ano sequer.


Melhor Álbum de 2011: Eddie Vedder - Ukulele Songs



Puts o cara é foda, vamos admitir. Can't Keep com bpm mais rápido que a versão original? Genial, pois quem disse que o ukelele é para ser tocado somente devagar? No mais, ótimas melodias com arranjos bem bonitinhos para este intrumento que está mais do que na moda. Menos é mais!



Melhor Álbum Santa Catarina: Cassim & Barbária - Cassim & Barbária II



Com excelente ingles, bem pronunciado, esta banda daqui da ilha lançou este disco finíssimo, que ao ouvir percebe-se que Cassim e sua trupe possuem extenso conhecimento musical, abordando todas as décadas de rock e suas vertentes, captando o que há de melhor em cada uma delas. A guitarra que entra em 0:40 na faixa "Dark Side Yoga" é uma das mais malvadas que já ouvi. Destaque também para a belíssima acústica "Last Sunny Day on Earth". Ainda não tive a chance de ve-los ao vivo, esse ano vai ter que rolar.



Decepção 2011: Mundo Livre S/A: Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa



Taí um disco que foi muito esperado mas não convenceu. Na minha opinião, eles sempre tiveram uma musica o outra fora do contexto dos seus álbuns, mesmo nos bons tempos dos anos 90. Mas nesse aqui foram infelizes do inicio ao fim. Um álbum Psico-night-futurista-samba-disco-club bem fraquinho.



Outros álbums legais de 2011:


Radiohead: The King of Limbs



Radiohead em modo ultra-minimalista. Aqui também menos é mais. "Codex" é o melhor Thom Yorke no piano desde "Pyramid Songs". Disco curto que nos deixa com gosto de quero mais.



R.E.M: Collapse Into Now


Esses caras nos deram uma ótima e uma trágica notícia no ano passado: o lançamento deste ótimo álbum e o anúncio do fim das atividades da banda. Pelo menos fecharam por cima, numa boa e com um discasso de rock. "All the Best" e "Alligator, Aviator, Autopilot, Antimatter" são as minhas preferidas.


That's all folks, see ya next year!

Tuesday, 22 March 2011

2010 Amaral Music Awards

Ladies and Gentlemen, nesta noite de gala Amaral apresenta os melhores álbums de dois mil e dez!


Melhor Álbum de 2010: Deerhunter - Halcyon Digest.




Descobri esta banda não faz muito tempo atrás, quando eles vieram aqui pelas terras kiwis. Nada de show em estádios, tocaram num pub em Wellington. Curiosidade: o vocalista Bradford Cox é mais magro que o mapa do Chile. Esses caras fazem um som muito esperto, vale a pena ouvir toda a discografia deles. Chamam este estilo de ambient-punk, meio alternativo, meio indie. Minhas favoritas deste álbum são Don't Cry, Revival, Helicopter e Coronado.



Melhor Álbum Santa Catarina: Lenzi Brothers - Fora de Estoque



A primeira vez que vi esses caras tocar foi em Blumenau no Coliseu na Alameda, milhões de anos atrás. Eles eram um quarteto na época, e me lembro de ter gostado muito do som deles. Tocaram várias músicas dos Beatles que ninguém toca, como She Came in Through the Bathroom Window. E este último álbum é puro rock and roll honesto com muitas influências Zepélicas, como a última faixa Nem Pior que Você, à la Communication Breakdown.



Lata de Lixo 1: Slash - Slash


Um grande guitarrista com certeza, gosto muito do som do Velvet Revolver, mas infelizmente não convenceu neste disco que gravou com diversas parcerias. Talvez isso que foi o problema, muitas pessoas diferentes com idéias diferentes. O álbum não tem coesão, parece que estou ouvindo uma rádio FM qualquer. Parceria com a Pussycat? Tais brincando né!



Lata de Lixo 2: Kings of Leon - Come Around Sundown


Outra decepção do ano. Um disco bem aguado com músicas que não dizem nada. No disco anterior Only by the Night (2008), eles já mostraram algums sinais de músicas aguadas, mas ainda acho o álbum muito bom. Mas neste aqui eles não me convenceram.



Outros álbums legais de 2010:




Black Rebel Motorcycle Club - Beat the Devil's Tattoo


Esse ficou em segundo lugar no meu ranking de Álbum do Ano. Garage Rock de qualidade. Ouça Bad Blood. E também neste álbum eles mostram que em pleno ano 2010 ainda é possível fazer grandes baladas de rock usando os velhos e batidos acordes dó, fá, sol e lá menor (ouça Sweet Feeling).



Yeasayer - Odd Blood


Banda de New York que faz um som muito diferente. Neste segundo álbum eles parecem que vieram de uma máquina do tempo direto do anos 80. A faixa I Remember parece uma música que o A-Ha nunca gravou. O primeiro álbum deles, All Your Cymbals de 2007, vale muito a pena ouvir, uma bela mistura de pop com world music, e melodias que colam no cérebro. Para quem está afim de ouvir um som diferente esta banda é altamente recomendada.



Stone Temple Pilots - Stone Temple Pilots


Os rapazi do STP estão de volta na área. As duas primeiras faixas são matadoras, marca registrada STP, o guitarrista Dean DeLeo está tocando melhor do que nunca. Um disco para ser ouvido.


E é isso aí por enquanto rapaziada. Até ano que vem para mais uma edição do Amaral Music Awards. E 2011 promete! Já saiu disco do Radiohead, vai ter álbum novo do Foo Fighters, Eddie Vedder solo com ukelele saindo em junho ou julho, e por aí vai.

Wednesday, 5 January 2011

Subindo o Vulcão

O Mt Ngauruhoe fica no Tongariro National Park, no centro da Ilha Norte da Nova Zelândia. Dos três vulcões deste parque, ele é o mais bonito, daqueles que é um cone perfeito, e é o segundo mais alto, com 2291m. A subida foi foda pra caralho, e perigosa também. Mas fomos devagar e com muita calma e atenção, e deu tudo certo. Foi muito bom voltar à este lugar, depois de quase 2 anos desde que fizemos o crossing (veja o link no final do post).

Essa trip já estava planejada faz um tempo, só estávamos esperando entrar em férias e ter a sorte de ter tempo bom. Neste ano que passou começei a encarar umas montanhas menores aqui na região, e serviram como treinamento para esta aventura.

São quase 1200m de diferença de altitude do estacionamento (aprox. 1100m) até o cume, 2291m. Primeiro caminha-se pela trilha principal do Tongariro Alpine Crossing por 2 horas e meia, que é bem formada e mantida, até chegar na South Crater. E lá é que a subida realmente começa. A partir dali não há trilha, cada um escolhe o caminho que quiser, mas é possível ver as rotas mais utilizadas seguindo as pegadas de outras pessoas. O cone possui um gradiente de mais ou menos 45 graus, ótimo para a panturrilha. Subir em linha reta nem pensar, somente em diagonal fazendo zig-zag.

Depois de muito tempo e muitas paradas para fotos e tomar água, finalmente chegamos ao topo. E lá em cima a vista é linda e muito ampla. E a cratera é vermelha, muito funda e gigantesca. Almoçei um croissant e um beef jerky, que parece comida de astronauta e é muito útil neste tipo de aventura. Em seguida fizemos uma caminhada ao redor da cratera e começamos a descida, que também foi muito perigosa e escorregadia.

Foram 9 horas de caminhada ao total, quando chegamos no carro já estava escurecendo. Muito recomendado, mas tem que aguentar o tranco! Com certeza venci meus limites e aumentei minha experiência nas montanhas. Everest me aguarde!

"Não conquistamos a montanha, conquistamos a nós mesmos" (comprei uma camisa que está escrito isso)

Clique aqui para ver o álbum.

Veja também: Um Passeio na Lua (postado em 12/02/2009)

Wednesday, 24 November 2010

2010 Hawke's Bay Ukulele Festival


E terminou ontem à noite, com chave de ouro o Festival de Ukeleles de Hawke's Bay 2010, com a apresentação da sensasional Ukulele Orchestra of Great Britain. No sábado, 20/11 aconteceram os shows do Ukulele Bartt, um californiano hippy que divulga o instrumento mundialmente, e do incrível trio kiwi The Nukes, que conta com um banjolele (ukulele banjo).



No domingo foi o dia de jam sessions com artistas locais, mais uma palhinha do Bartt e dos Nukes, e a tentativa de quebrar o recorde mundial de ukuleles tocando ao mesmo tempo. Desde molecada de escola até senhorinha apareceu para tocar, mas setecentos e poucos ukuleles não foram suficientes para o recorde. Mas mesmo assim foi muito divertido.



E como já citei, o concerto de ontem à noite foi simplesmente incrível. Uma pena não poder levar a câmera dentro do teatro, essa vai ter que ficar só na memória mesmo. E sim, eles tocaram o tema do The Good, the Bad and the Ugly, assim como Smells Like Teen Spirit. E levei meu uke também para tocarmos todos juntos uma parte da 9a sinfonia de Beethoven.

Aqui estão algumas fotos do evento.





Saturday, 31 July 2010

Ukulele ou Ukelele?

Ukulele (pronuncia-se you-ke-LE-le) é um instrumento de 4 cordas semelhante ao cavaquinho, que foi inventado no século 19 e introduzido no Hawaii pelos imigrantes portugueses. Ukulele com 'u' é o nome original do instrumento, na língua havaiana. Ukelele (com 'e') também é muito utilizado, principalmente na Europa. E também pode ser chamado simplesmente de 'uke'.

Na verdade ele foi inspirado no cavaquinho, que é também de origem portuguesa. A principal diferença entre os dois é que no ukulele utilizam-se cordas de nylon e no cavaquinho de aço, além da afinação ser diferente também. Outra característica do uke é a quarta corda que é mais fina do que a terceira e a segunda, sendo assim o 'baixo' é uma nota aguda e assim faz com que ele tenha um som muito característico.

A afinação padrão é G-C-E-A (sendo a quarta corda apenas um tom abaixo da primeira), formando assim o acorde C6 quando tocam-se as cordas soltas:
E há também outras variações de afinações e também tal do ukulele barítono, que é um pouco maior, e a quarta corda é a mais grave de todas, como na maioria dos intrumentos. Bom já falei demais, agora vou aproveitar para mostrar meu talento com o uke!





Sunday, 20 June 2010

Supermercados

Eu não gosto de ir em supermercados. Nem mini-mercados, hiper-mercados, ou simplesmente mercado, sem adjetivos.

Gaetner, Comper, Mini-Preço, Pão de Açúcar, Cooperativa Hering, Itageli, Big, Archer e Bombeach.

Outros com nomes semelhantes, que parecem nomes de duplas sertanejas (oh, agora se chama Sertanejo Universitário né? foi o jeito criativo que encontraram para atrair a juventude bonita e descolada): Angeloni & Angelina, Jangada & Janaína, Guarimar & Guarezi.

Também os zelândicos Foodtown, New World, Countdown, Woolworths, 4Square e Pak 'n Save.

E muitos, muitos outros.

Não gosto de ir no supermercado. Supermercados sugam minhas energias. Filas, aquelas tias atravessadas nos corredores, criança ranhenta botando a mão na bunda, no nariz, nos produtos nas prateleiras e ultimamente, no seu carrinho.

Também é muito chato ouvir briga de casal atrás de você na fila. Argumentos como 'olha que barato, vamos levar!', seguido da resposta afiada e fria do cônjuge 'barato é o marido da barata!'.

Não gosto de ir no supermercado com fome. Recomendo que ninguém vá ao supermercado com fome. Principalmente quando não tem tiazinhas servindo petisquinhos. Quando vou no supermercado com fome sempre compro mais do que é preciso.

Mas ir de barriga cheia também não é bom, pois não tenho vontade de comprar nada. Sempre acabo comprando menos do que eu preciso.

Uma técnica para gastar pouco é pegar uma cestinha ao invés do carrinho. E respeite a única regra desta brincadeira: só vale comprar o que couber na cestinha.

Para os mais radicais a dica é nem pegar cestinha: só vale levar o que puder carregar nas mãos. Nada de levar o pão debaixo do suvaco ou segurar com os dentes. Só valem as mãos, talvez ajudar com o antebraço, mas somente em casos especiais.

Preciso de uma lista sempre que tenho que comprar 4 ítens ou mais.

Cogumelos não são vegetais, mas eles colocam para vender ao lado do tomate, do limão e do abacate. Mas o nome do departamento aqui na NZ não é Vegetables, e sim Fresh Produce. Então ponto para eles nessa.

Muito interessante é o tal do muttonbird: é uma ave, mas tem nome de carneiro (mutton), e colocam pra vender na sessão de frutos do mar. Vai entender.

Falando em frutos do mar, "Frutos do Mar" eu acho um termo muito poético. Para mim isso significa o seguinte:

"A produção de um trabalho duro dos pescadores, homens do mar, que enfrentam mares revoltosos cheios de criaturas furiosas. Deixam suas mulheres em terra firme, esperando o retorno do barco com a fartura da pesca. E à noite bebem, dançam, se amam e regozijam como nunca, até que seja hora de partir novamente".

Em francês é o mesmo nome: fruits de mer, e soa ainda mais romântico e poético. Mas em inglês é seafood (comida do mar): muito simples e tosco.

Falando em food, nas tavernas de beira de estrada da Nova Zelândia está escrito na placa da frente simplesmente FOOD. Simplesmente FOOD. Nem pelo menos restaurant, ou meals, ou snacks. Simplesmente COMIDA. Pode se esperar qualquer coisa vinda de lá. Uma vez lá nos cafundós de Coromandel Peninsula, 10 da noite de um dia de semana, estava num camping e não tinha nada para comer. O único lugar aberto naquela hora era uma taverna, e juro pra vocês que o cara que me atendeu era o Ronnie Wood. Eu estava esperando comer um hamburguer ou algo parecido, mas a única 'comida' disponível era batata frita de saquinho. Daquelas que parecem isopor. E Coca-Cola.

Falando no Ron Wood, aqui em Hawke's Bay tem um café no centro da cidade onde o Keith Richards trabalha. Um cara lá pelos 50, com a cara surrada de noites e festas. Parece que os Rolling Stones estão por aqui fazendo bico. Meu amigo Rodrigo Kammer, ex-residente de Mount Maunganui, me disse que o baterista do AC/DC mora em Papamoa Beach. Vejam vocês: uns trabalhando em bares, outros dirigindo táxis, caixa de supermercado...

Aqui na NZ tem algumas coisas interessantes para vender em supermecardos. Carne moída de frango é uma delas. Carne moída de porco é outra. Tem também hambúrguer de salsicha (ou seria salsicha de hambúrguer?). Tem pão de queijo da Yoki também, made in Brazil, traduzido como cheese bread, e esta tradução é infeliz.


Tem aquele tal de Vegemite, que não passa de uma 'geléia de fermento'. O gosto é horrível. Ou você gosta 100% ou detesta 100%. Sou da turma que detesta 100%. E quem gosta geralmente passa na torrada, ou ainda na cenoura. Sim, na cenoura, tentando imitar brasileiros comendo banana com mel. Vegemite com cenoura: uma iguaria sem igual.

Vegemite é uma marca (da Kraft). Mas virou conceito, assim como gillette, bombril e nescau. Quando pergunto à alguém se gosta de Vegemite, normalmente dizem que não. Mas em seguida dizem 'eu prefiro Marmite', que é a outra marca rival. Só para efeito de informação, a diferença entre Vegemite e Marmite é a mesma que entre merda e cocô.

Eu fico puto da cara quando eles retiram os meus produtos preferidos das prateleiras. Simplesmente param de comercializar. Um exemplo foi a barrinha de cereal da Cadbury sabor Fruit & Nut. Era a minha preferida e eles não vendem mais, e substiruíram por aquele maldito sabor de raspberry (framboesa). Para mim framboesa é morango de pobre, assim como São Paulo é New York de pobre. Pronto, falei.

Aqui tudo é de raspberry. Bolo, iogurte, chocolate, primeiro ministro, Fanta, e até aquele pinheirinho para dar cheiro bom no carro. Pinheiro de carro vem nos sabores 'brisa do mar', 'carro novo' ou 'raspberry'.

Um dos ítens mais contrangedores de se comprar num supermercado é papel higiênico. Sempre compro em fardos de 12 ou 18 rolos porque é mais barato. E quando estou colocando no carrinho parece que todo mundo olha pra mim pensando olhá lá, lá vai o cagão, ou porra esse caga pra caralho.

Bom, já falei demais e estou tomando seu precioso tempo. Com licença, preciso sair agora. Tenho que ir no supermercado.

Friday, 18 June 2010

Pollo con Avocado

Alho, vinho e abacate: você já pensou em misturar estes três ingredientes? Eu não. Ainda bem que um dia alguém me mostrou esta delícia. Aprendi esta receita quando trabalhei no Fettuccine Brothers em Gisborne, um restaurante italiano, mas nem tão italiano. A combinação destes três ingredientes é delicada, sutil e saborosa. E ainda por cima é de fácil execução.


Pollo con Avocado (Fetuccine com Frango e Abacate)

Ingredientes (2 porções):

- 350g massa fettuccine fresca ou dura;
- 300g peito de frango cortado em cubos;
- 1 cebola grande cortada fina;
- 5 dentes de alho picados finos;
- 200ml de vinho branco, pode ser do barato e/ou aquele resto (se é que existe resto) que está na sua geladeira já faz um tempinho e tem cheiro de vinagre, não dá nada!;
- 1 abacate médio cortado em cubos;
- 300ml de leite;
- 1 colher (sopa) farinha;
- óleo;
- sal e pimenta à gosto;
- queijo parmesão;
- cebolinha ou tempero verde cortado bem fino para decorar;


Cozinhe a massa normalmente com água, sal e um pouco de óleo. Numa frigideira grande aqueça o óleo e frite o frango e a cebola. Assim que o frango ficar branco (pode até ainda ter alguns pedaços rosados), acrescente o vinho e o alho e refogue até o vinho evaporar (até o cheiro de álcool sumir). Em seguida baixe o fogo para médio e adicione o leite, sal e pimenta e mexa por 3 minutos. Adicione a farinha lentamente, sempre mexendo. A farinha serve para engrossar o molho. Adicione o abacate e deixe cozinhar por mais 1 minuto. Não mexa muito nessa hora para não desmanchar o abacate. Coloque a massa no prato (ou cumbuca!), molho por cima, em seguida o queijo ralado e uma pitada do tempero verde para decorar. E está pronto! Recomendadíssimo com um Chardonnay e luz de velas!



Monday, 24 May 2010

Geografia

Sempre gostei de Geografia. Sempre gostei de mapas. Sempre soube os nomes das capitais de boa parte dos países do mundo. Ficava chocado ao ver alguns de meus colegas em classe que não sabiam na ponta da língua, por exemplo, qual era a capital de Portugal ou do Piauí.

Quando ainda estava no Brasil eu ouvia que os Americanos não entendiam muito de geografia, achavam que o Brasil ficava na África e que a nossa capital era Buenos Aires: um tremendo insulto.

Ao chegar na Nova Zelândia percebi que o mesmo problema acontece aqui. Exemplo:

Kiwi: Where are you from?
Eu: Brasil.
Kiwi: Brazil? So you're from Puerto Rico, right?

Com o tempo eu comecei a entender e até considerar porque os kiwis (principalmente o povão que não estudou suficiente e que não é viajado) não entendem muito de geografia. Tentei pensar da maneira como eles vêem o mundo, e cheguei nas seguintes conclusões:

A Nova Zelândia é uma ilha. Ou melhor, duas ilhas pequenas. Mas nem tão pequenas (experimente dirigir de Dunedin até Auckland e você verá que é longe pra caralho). Ou seja, para eles não existe a noção de fronteira com outro país. De entrar em outra nação caminhando, ou dirigindo um carro. É só água pra tudo que é lado. E ainda por cima a água é fria.

Aí veja o exemplo do vizinho ao lado: Austrália. Também é uma ilha, só que muito, muito maior. Tão grande que chamam de continente. Mas tem só um país lá dentro. E o país tem o mesmo nome do continente. E tambem não fazem fronteira com ninguém. Também só água pra todos os lados, embora um pouco mais quente.

Antigamente chamavam essa área aqui de Oceania. Um continente de água com milhares de ilhas e micro-nações. Hoje em dia se chama Australasia, e as ilhas tropicais (Fiji, Samoa, etc) são Pacific Nations.

Já que a vizinhança é uma confusão, a lógica seria procurar uma resposta no país-mãe: Inglaterra. Ou seria Grã-Bretanha? ou Reino Unido? Na Copa do Mundo eles disputam como Inglaterra, Gales e Escócia, separadamente. Mas nas Olimpíadas eles se unem e disputam como Reino Unido. Ou seria Grã-Bretanha? Que porra é essa?

A União Européia só fez complicar as coisas. Tem gente que quer conhecer a Europa, aí eu pergunto qual o país(es), e eles dizem: Europa.

A moeda da Nova Zelândia se chama New Zealand Dollar. O rosto da Rainha Elizabeth II está presente em todas as moedas (do lado da coroa é claro, haha) e nas cédulas de 20 pilas. E isso também influencia a idéia de que o país, apesar de independente, ainda está fortemente amarrado ao solo britânico (ou seria inglês?).

Vamos para a Ásia agora: Eles chamam de asians (asiáticos) os povos do leste e sudeste da Ásia. Todos os que tem olhos puxados. Semelhante ao nosso "japa" que não significa somente japonês. E as pessoas da Índia eles chamam de indians, e nunca asians, apesar do país pertencer ao continente asiático.

E os Estados Unidos eles chamam de América. Que também é o nome do continente. Então para eles o continente americano tem três países: Canadá, América e Latin America. Alguns acham que Canada e USA são a mesma coisa, por terem basicamente o mesmo sotaque. Um dos grandes culpados disso tudo é Keanu Reeves, que não passa de um impostor, sempre-mesma-cara ator, e está na minha lista negra de atores jaguara de Hollywood. Mas isso é história pra outro dia.

Às vezes eles chamam Latin America de Brazil. Às vezes de México. Muitos pensam que o Carlos Santana é brasileiro. E é exatamente por isso que eles acham que samba, rumba, tango e salsa são tudo a mesma coisa. E dentro deste cenário acontece uma das coisas que mais odeio genuinamente na vida: é quando alguém diz que conhece um brasileiro e quer me aprensentar, e quando chego lá é um argentino.

Resumindo: para eles aqui é difícil assimilar a idéia de país e continente.

Agora para finalizar: tem uma espécie de dança com ginástica aeróbica que virou moda por aqui recentemente. Se chama ZUMBA. É uma metamorfose de tudo isso que falei até agora. Fiquei sabendo desta nova sensação da seguinte maneira:

Kiwi: Ed, you know Zumba, don't you?
Eu: Never heard of, what's that?
Kiwi: It's a dance from Brazil...

Wednesday, 7 April 2010

Amaral e o Guarda-Chuva do Avô

Existe uma comunidade no Orkut chamada 'Explicações Catarinas'. Provavelmente criada por não-catarinenses, perdidos no trânsito, frustados ao receber tanta informação errada de como chegar à um determinado local. Naquela comunidade as pessoas xingam nós, Catarinas, por explicarmos que para chegar numa determinada praia é só pegar a segunda direita, ir toda-vida-reto, depois de uma árvore tem uma igreja e faz a volta e pega a terceira rua da esquerda, e toda-vida-reto até acabar. E depois sobe o morro e desce o morro e pega às esquerda denovo, e talí ó.

Como são inocentes. Vai levar algum tempo ainda para eles aprenderem que fazemos isso de propósito. Esses turistas que só vão para a praia no verão, com seus carros com som alto tocando as últimas músicas das paradas, não são bem vindos na nossa terrinha. Muitos de vocês vão concordar comigo. A poluição cultural é simplesmente insuportável. Além de perturbarem a fluidez de nosso trânsito, e contribuirem para o aumento absurdo dos preços de tudo, durante aquela época do ano.

Hoje em dia esta comunidade já não xinga nós. Ela é relativamente carinhosa conosco e gosta da nossa maneira de falar. Talvez para tentar agradar, em troca de receberem informações corretas na próxima vez em que viajarem por nossas terras. Como são inocentes.

Assim como toalhas de banho, guarda-chuvas são objetos muito úteis. Eu aprendi isso um dia. E também são muito fáceis de se perder, especialmente naqueles dias que está chovendo pela manhã e faz sol depois do almoço. Ninguém se lembra deles na hora de ir embora. E para onde eles vão? Todos perdem, ninguém acha. Um mistério a ser desvendado.

Era um dia de verão no Gravatá. Mais precisamente um dia chato de verão no Gravatá. Um daqueles dias de chuva que só servem para fazer experimentos científicos, como por exemplo, descobrir se a Coca-Cola perde mais gás ao abrir a garrafa bem devagar (tssssssshhhhhhh!), ou rapidamente num só golpe (TSCH!). Após muitos estudos e deliberações, Tiago, Cebola, Guto Baiano, Maçaneiro e outros participantes concluíram que não chegaram à conclusão alguma.

E foi num destes dias chatos de chuva, que peguei o guarda-chuva do meu avô e fui caminhando até a casa do Dado. A chuva havia parado logo depois que cheguei lá. E como não queria desapontar meu avô, retornando para casa de mãos vazias, aguarrei firmemente o guarda-chuva e me concentrei bastante para não vacilar e largá-lo no chão: foi uma boa decisão.

Infelizmente uma turma de turistas de outro estado brasileiro conseguiu chegar no seu destino. Talvez algum conterrâneo nos traiu ou foi comprado, e forneceu as coordenadas corretas. Por muito azar o destino era uma casa exatamente na frente da casa do Dado. E eram mais um destes tipos babacas que deixam o carro aberto com som altíssimo tocando música brega, sem respeito algum à harmonia de uma rua de família, pacata e tranquila. Eram daqueles que deixam o carro na calçada todo escancarado com o som talado no último, e ficam sentados na varanda tomando cerveja em lata, desde manhã cedo. E à noite vão lá no canto da praia, onde se reúnem com outros milhares de Homo moronicus, para fazerem fiasco em grandes proporções.

Sequer prestam atenção à música. O barato deles é simplesmente ter barulho em volta. Nada de som de passarinhos ou da brisa do mar batendo nas árvores.

O barulho já tomava conta daquela tarde naquela rua já fazia algum tempo. E foi no momento em que o tio Ricardo pediu com gentileza para eles baixarem o som, e eles em resposta mandaram-lhe calar a boca, que tudo começou. Nós ali sentados no muro já pulamos para a calçada, de peitinho estufado e dando de dedo, bem valentes. E o alvoroço tomou conta daquela pacata rua naquela tarde sem graça de verão. Primeiro foram as discussões verbais. Onde ninguém entende nada no meio de tanta gente xingando tantas outras, com diálogos sujos e atravessados: pau nó cú daqui, viado dali, tua mãe acolá, filha da puta pra tudo que é lado, etc.

A tensão foi aumentando e num determinado momento eu me vejo parado exatamente no meio da rua. E num rápido giro de 360 graus, eu vejo todo mundo se pegando no pau. Eu nitidamente conseguia enxergar os sons dos golpes, como ao ler gibis do Batman: Whamm! Kapow! Sock! Pow! Os movimentos não eram exatamente como nas lutas coreografadas de filme: estava mais para um tipo patético de puxa camisa daqui e empurra dali do que qualquer outra coisa.

Quando acabo de completar minha rotação, eu vejo que o Dado estava há poucos passoa à minha frente, segurando um dos caras por trás. Olhei para o guarda-chuva na minha mão. Olhei para o Dado segurando o cara. E dei uma guarda-chuvada bem na cara dele (do cara, não do Dado). A palavra referente ao golpe que surgiu no ar naquela hora foi Zap!

Uma extrema comoção tomou conta daquele lugar. Já tinha senhora saindo gritando pela porta da casa, num ritmo de bafafá e balbúrdia geral. E a briga terminou tão rápido quanto havia começado. Neste momento alguém disse que a polícia já estava à caminho.

Para mim, particularmente, a briga foi só vantagem: golpes aplicados: um, golpes recebidos: zero. E o guarda-chuva ainda na minha mão, intacto.

O Juninho de Curitiba (apesar de não ser Catarina ele é da turma) estava munido de um pedaço de pau exatamente na hora que lá vinham viaturas da polícia dobrando a esquina, com sirene, camburão e tudo mais. Neste momento a confusão já havia sido percebida por moradores das ruas vizinhas. E os homens da lei, utilizando-se das suas grandes espertezas em tomarem decisões precipitadas, baseadas em breves e superficiais observações de incidentes em geral, já estavam levando o Juninho pelos braços, quando novamente houve uma grande comoção geral, ao tentar explicar que haviam pego a pessoa errada.

No fim os forasteiros levaram um pito e passaram o resto do dia dentro de casa. Não perderam muito, pois era um dia de chuva. Tiveram que se contentar em tomar cerveja em lata dentro de casa, em silêncio. E no dia seguinte fizeram as malas e retornaram para sua terra, longe de Santa Catarina.

O que também retornou foi o guarda-chuva. Retornou são e salvo para a casa de praia dos meus avós, orgulhoso e cheio de histórias para contar.

Thursday, 25 March 2010

Irish Beef Stew

Não sou fã de cerveja Stout. Nem de cerveja preta em geral. Nunca gostei de Malzbeer (é assim que se escreve? ou é Malzbier?). Muitos amigos meus gostam, mas para mim tinha gosto de ferrugem. Não que já havia lambido um pedaço de ferro oxidado, mas é aquela coisa inexplicável que costumo chamar 'o gosto do cheiro', ou 'o cheiro do gosto'. Exemplo: um biscoito velho num pacote aberto há alguns dias pode ter gosto de 'armário da casa da praia em Novembro'. Não que já lambi ou comi um armário, nem atrás do armário, especialmente em Novembro. Mas é aquele cheiro típico de casa fechada por muito tempo, e por algum motivo misterioso está presente no biscoito.

Cerveja vermelha tudo bem: Bock, Indian Ale, etc. Gosto do sabor e tem bem a ver com inverno. Quando se fala em stout beer a primeira palavra que vem na cabeça é Guinness: provei uma pela primeira vez num St. Patrick's Day uns 3 anos atrás. Não gostei do sabor e achei bem pesada e parece choca. Guinness em lata vem com uma bolinha dentro, como nas latas de spray. Acho que é pra não deixar acumular sedimentos no fundo. Muito estranho. E diz que é pra tomar bem gelada. Mas a galera toma quente e não está nem aí.

Mas mesmo assim eu sempre fui interessado em tentar cozinhar com essa cerveja. Álcool não é só para beber. Para muitos isso pode parecer um desperdício, principalmente pelo fato de que todo o álcool evapora, e ninguém fica bêbado ao comer um prato que leva vinho ou cerveja.

Um dos pratos mais típicos da Irlanda é o stew (carne de panela), que pode ser com cordeiro ou carne de boi. A cor e consistência são semelhantes ao molho madeira, e é uma delícia, um favorito nas noites frias de inverno e também no St. Patrick's. Assim como a feijoada, existem milhões de receitas e variações. A receita que fiz é bem básica e utiliza os ingredientes mais tradicionais. Esta receita é com certeza a mais complexa, a nível de execução, que já postei até agora. E também consome bastante tempo. Mas dou a maior força e incentivo para tentarem. Dá um trabalhinho mas vale a pena!



Irish Beef Stew with Mashed Potatoes (Carne de Panela Irlandesa com Purê de Batata)

Rendimento: 4 porções


Ingredientes do Stew:


- 1 cebola média picada;

- 5 dentes de alho picados;

- 800g carne (coxão mole ou outra) cortada em cubos;

- 3 colheres (sopa) de farinha de trigo;

- 1 cubo de caldo de carne;

- 350ml de cerveja tipo Stout (Guinness, Murphy's, etc)

- água quente;

- 3 cenouras médias cortadas em cubos pequenos;

- 2 folhas de louro
;
- 2 ramos de tomilho
(thyme);
- 1 colher (sopa) de açúcar;

- 3 colheres (sopa) de extrato de tomate;

- óleo;

- sal e pimenta à gosto;

- tempero verde para decorar;


Ingredientes do Purê:


- 1kg de batatas descascadas e cortadas em cubos pequenos;

- água;

- 2 colheres (sopa) de manteiga ou margarina;

- sal à gosto;

- uma pitada de noz moscada;

- 100ml de leite;


Modo de preparo: Numa panela grande adicione óleo, cebola e alho. Refogue por 3-4 minutos. Retire da panela. Adicione 1 terço da carne e doure em fogo alto por 2 minutos. Retire e repita o mesmo processo com a segunda e terceira porção. O objetivo é dourar a carne sem causar espuma na panela. Por isso a carne é dourada em pequenas porções.

Retorne toda a carne para a panela. Adicione a farinha, espalhando uniformemente sobre a carne. Mexa até que a farinha se misture bem. Retorne o alho e a cebola para a panela. Adicione o cubo de carne moído ou dissolvido na água. Adicione água até que toda a mistura fique coberta. Mexa e cozinhe em fogo médio por 5 minutos.


Adicione a cerveja, cenoura, tomilho, louro, açúcar e o extrato de tomate. Cozinhe por 1 hora em fogo baixo, mexendo ocasionalmente.


Enquanto isso faça o purê: Adicione as batatas na panela e cubra com água. Cozinhe até que amoleçam (10-15 minutos). Drene as batatas e coloque-as numa bacia ou de volta à mesma panela. Adiocione o sal, leite, uma pitada de noz moscada e a manteiga. Amasse e misture até que fique uniforme. Se ficar muito duro, adicione um pouco mais de leite.


Voltando ao stew: A gordura que acumula no topo do stew pode ser retirada com uma colher. Após 1 hora cozinhando adicione o sal e a pimenta e pronto! Sirva com tempero verde sobre o stew. Bon appétit!



Thursday, 7 January 2010

2009 Amaral Music Awards

Feliz ano novo a todos vocês meus caros leitores deste blog. Ainda continuando com discos, meu primeiro post de 2010 será a distribuição dos troféus da primeira edição do Amaral Music Awards. Imagino que tenha ouvido muito menos álbums do que deveria ter ouvido durante o ano, para poder julgar o melhor (e o pior), mas vou distribuir os prêmios mesmo assim:


Melhor álbum de 2009 (Brasil): Otto - Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos



Grande trabalho deste músico pernambucano, mostrou amadurecimento em sua carreira com letras cheias de emoção e músicas com ritmos bem variados e bem arranjadas. Muito recomendado.



Melhor álbum de 2009 (Internacional): Pearl Jam - Backspacer



Pearl Jam é como um bom vinho, fica melhor a cada ano que passa. Eddie está muito inspirado neste disco, cantando muito bem e compondo grandes canções. E a banda não deixa a desejar também com melodias expertas. Um ótimo disco de rock.



Artista Revelação do Ano: Them Crooked Vultures - Them Crooked Vultures



Them Crooked Vultures, um dos nomes de banda mais descolados que já ouvi. Esta superbanda é um projeto formado por ninguém menos do que Dave Ghrol (Nirvana, Foo Fighters), John Paul Jones (Led Zeppelin) e Josh Homme (Queens of the Stone Age) e tem um som incrível. Mais incrível ainda é ver o dinossauro que é o John mandando muito bem no baixão em músicas um tanto que alternativas e bem diferentes da época de ouro dele. Scumbag Blues é bem vintage, bem estilo Cream, e o resto das musicas soam um pouco QOTSA e Foo Fighter às vezes. Muito legal.



Troféu Lata de Lixo: Chris Cornell - Scream



Confesso que quando baixei o disco achei que tinha vindo outro álbum por engano. Mas não, era a voz dele. Então pensei que algum DJ fez uma versão hip-hop do disco. Mas não, era o disco mesmo. Absolutamente uma aberração, como pode um dos caras que mais influenciou o som dos anos 90 ter feito uma merda dessas? Sinceramente, até o Chinese Democracy é melhor. Um verdadeiro lixo.

Saturday, 5 December 2009

Sopa de Cogumelos


Ha! Este título do post certamente vai atrair muita malucada para este blog. Malucada do Costão do Zarling, do Vale da Utopia, e de todos os outros lugares onde o zebu deixa seu rastro e o Ventania canta suas músicas.

Morando aqui na Nova Zelândia descobri o quanto é bom saborear cogumelos frescos. No Brasil somente havia provado os já bem conhecidos champignons em conserva, e hoje em dia outros tipos estão sendo introduzidos no menu de restaurantes brasileiros. E posso dizer que o sabor deles frescos é alucinóg.. er.. digo, alucinante. Eu sabia que pelo mundo afora comia-se cogumelos mas não sabia que eram tão popular. Tanto na cozinha asiática ou na cozinha Européia existem várias receitas deliciosas.
Na ásia normalmente se utiliza o cogumelo do tipo Shiitake (Lentinula edodes), que já estou sabendo que está sendo comercializado no Brasil. Este tipo de cogumelo também é possível encontrar em conserva e é utilizado em sushis e stir-fries asiáticos em geral.

Já na Europa o tipo mais comum é o Agaricus bisporus que possui diversas variedades sendo as mais comuns o White Mushroom (Cogumelo de Paris) e Gourmet Brown (Portobello). E estas variedades estão disponíveis no Brasil também.

Nos supermecados daqui eles vem ainda estão sujos com terra. A aparência às vezes não é tão boa, o segredo é tentar comprar o mais fresco e limpo possível.

Uma boa maneira se provar cogumelos frescos pela primeira vez é simplesmente grelhá-los numa frigideira com um pouquinho de óleo, nem prescisa sal. Pique e grelhe por uns 3 ou 4 minutos em fogo alto, mexendo constantemente.

E aqui vai uma receita espacial.. er.. digo, especial de uma sopa de cogumelos. Na verdade eu copiei de uma revista mas mudei um pouco os ingredientes e as proporções, e agora é a minha receita. Perfeita para servir de entrada numa janta onde o prato principal é uma carne assada de forno, como uma costela ou cordeiro. E para acompanhar um bom vinho tinto como um bom e forte Malbec argentino, ou Shiraz australiano. E vamos comer cogumelos malucada!

Amaral's Creamy Mushroom Soup:

Ingredientes:

- 50g manteiga ou margarina
- 250g cogumelos frescos picados (recomendo o tipo Portobello)

- 1 batata grande descascada e picada em cubos pequenos

- 1 cebola média picada
- 5 dentes de alho picados

- 100ml leite
- 1 cubo caldo de frango dissolvido em 200ml de água quente

- sal

- pimenta caiena (ou pimenta do reino)

- noz moscada


Derreta a manteiga numa panela e adicione a cebola, alho e batata. Refoge em fogo baixo por 5 minutos. Adicione os cogumelos e refogue por mais 5 minutos. Adicione a água com caldo de frango e uma pitada de noz moscada.
Mexa e cozinhe por mais 15 minutos em fogo baixo. Adicione sal e pimenta (se você nunca usou caiena tome cuidado pois ela é nervosa!) , mexa e leve a sopa para o liquidificador ou processador, e bata até ficar com a consistência de papinha. Derrame novamente na panela e adicione o leite e cozinhe em fogo baixo por mais 5 minutos.
Cheque o sal e pimenta, provavelmente será preciso adicionar mais um pouco de sal. Sirva numa cumbuca e decore com tempero verde ou tomilho. B
on appétit!


Sunday, 23 August 2009

Teletransporte

Oktoberfest é uma festa que eu gosto de ir. Na minha infância era sinônimo de parque de diversões. Ia com os meus pais nos fins de semana à tarde para brincar no carrinho-choque e muitos outros brinquedos. Além de comer algodão doce, churros, e tomar bastante refrigerante.

Depois que virei moço o legal sempre foi ir à noite. Com amigos sempre ao lado, todos bêbados e se divertindo muito. Sempre gostei de ir no primeiro dia: Quinta Feira. Não é cheio de pessoas e ainda não tem aquele cheiro de chopp azedo nos pavilhões, além do sapato ainda não grudar no chão. Tudo novinho e em ordem. E normalmente vou mais uma ou duas vezes no mesmo ano. Com exceção da primeira noite (relativamente sóbria), todas as outras vezes eu fazia questão de não dirigir, e arrumava outro jeito para ir e para voltar da festa.

Quase sempre ficava até o final: 5 da manhã se não me engano, vem aquela gang varrendo o chão, e vão varrendo tudo e todos que estão pela frente. O jeito é ir embora mesmo. Às vezes dormia na casa de algum amigo que morava perto, ou voltava de carona, ônibus, táxi ou moto-táxi.

Mas uma vez voltei pra casa de uma maneira um tanto diferente. Num momento pelas altas da madrugada eu me perdi da galera. Estava perambulando perdido pelo pavilhão B. Neste pavilhão há um banheiro ao lado do palco e me lembro que estava indo naquela direção, e quando ao passar pelo lado do palco percebi que a banda estava tocando a música Todas as Noites do Capital Inicial. Típico naquelas horas no meio do show, em que as bandas da Oktoberfest param de tocar músicas alemãs e tocam as músicas do momento das FM's, anos 60, e particularmente Another Brick in The Wall Part II. E naquele momento, em minha opinião de bêbado, achei que a banda estava interpretando Todas as Noites muito bem. Estava lá, munido de um copo de chopp já pela metade, ao lado da caixa de som, querendo ouvir a música até o final. Não estava tão apertado para ir ao banheiro, ainda mais que este agora encontrava-se tão próximo.

Ouvindo a música pensei: Vou terminar este chopp ouvindo a banda, ir ao banheiro, comprar outro chopp (oh, tenho um ticket de chopp no bolso!), sair fora do pavilhão, comer um x-alemão ou quem sabe um espetinho Mimi, e com muita sorte encontrar algum amigo pelo caminho.

Estava feliz, agora com um plano estabelecido, e pronto para colocar em ação. Mas no momento em que finalizei minha bebida, começo a ouvir um zunido contínuo, do tipo zéééééééé. Parecia estar vindo da caixa de som. A banda não mostrava-se incomodada pelo ruído, pois continuavam a tocar como se nada tivesse acontecido. E eu percebi que o zunido, antes sutil, começou lentamente a aumentar de intensidade. E eu dei uns passos para trás pois estava se tornando irritante. O barulho aumentou a ponto que agora já era mais alto que a própria música, mas a banda não se importou, e continuavam a tocar normalmente. E o zunido continuou a ficar mais alto e insuportável, até que engoliu completamente a música, e só o que eu ouvia naquele momento era zééééééééé.

Foi quando, num piscar de olhos, eu me encontro deitado em minha cama na minha casa. Domingão de sol e calor, onze e meia da manhã e eu com uma puta ressaca. Vestindo a mesma roupa, com exceção dos sapatos: pé direito perto da porta e o esquerdo a um passo adiante, de cabeça para baixo. Lá fora meu pai roçando a grama, passando com a màquina bem na janela do meu quarto. À medida em que ele se distanciava começei a perceber música vindo da sala. Minha irmã ouvia o CD do Capital Inicial, que já estava tocando a faixa seguinte.

E não havia ticket de chopp algum no bolso da minha calça.

Tuesday, 28 April 2009

Feijoa


Feijoa (pronúncia: fíi-djou) é uma fruta que conheci aqui na Nova Zelândia logo quando cheguei, e agora em Abril, junto com kiwifruit, é a época da fruta. Ela é muito popular sendo que muitos possuem feijoeiras nos jardins de suas casas. E logo imaginei que fosse uma espécie nativa daqui. Com o tempo ouvia pessoas dizerem que esta planta é originária da América do Sul, falavam que era do Chile. E uns ainda diziam que era do Brasil. Eu, na qualidade de moleque que sempre andava no mato, já me arreparei pulando cercas de vizinhos e pastos catando goiaba, araçá, gabiroba, ameixa, tangerina, joão-bolão, pêra, etc. Mas nunca havia visto esta fruta.

E graças ao wikipedia eu descobri que Feijoa é realmente originária do Brasil!!! Seu nome binomial é Feijoa sellowiana e seu nome foi dado em homenagem ao naturalista João da Silva Feijó. No Brasil é conhecida popularmente como goiaba serrana ou goiaba ananás e é encontrada nos planaltos do sul do nosso país, Uruguai e norte da Argentina.

Então foi por isso que nunca encontrei esta fruta no Brasil, apesar de eu morar em Santa Catarina. Não sabia nada. Então gostaria que você leitor, que conhece esta espécie, por favor comente aqui o que você tem a dizer sobre esta fruta.

E depois desta descoberta comecei a perceber que a feijoa realmente parece com a goiaba, principalmente a textura da casca e onde a fruta conecta-se com a árvore, aquilo ali é igualzinho à goiaba. Seu gosto entretanto é bem diferente, aromático, azedo e doce ao mesmo tempo. E o mais legal é que aqui na Nova Zelândia eles fabricam vodka de feijoa! Aliás, vodka normal com sabor feijoa. A marca é 42 Below e eles produzem vodkas com outros sabores inusitados como mel, maracujá e kiwifruit. Segundo eles, feijoa tem um gosto que é uma mistura de goiaba com abacaxi, o que eu discordo. Para mim feijoa tem gosto de feijoa. E vale a pena dar uma olhada no website deles, bem legal.

E sim, já experimentei a bebida e é muito boa.


Monday, 16 March 2009

Homem de Conhecimento

Já faz algum tempo que estou querendo colocar aqui no blog este trecho do livro A Erva do Diabo (The Teachings of Dom Juan), do Castaneda. É a minha parte preferida deste livro, que conta sua história, quando conheceu Dom Juan e passou por um processo de aprendizado com este velho índio numa região remota no norte do México. Dom Juan sempre falava do "homem de conhecimento" nas conversas entre os dois, mas nunca havia entrado profundamente no assunto. Até que um dia, de tando Carlos insistir, e alegando que ele estaria voltando aos Estados Unidos e ficaria lá por alguns meses e gostaria de refletir sobre o assunto, o índiozão cedeu e naquela noite tiveram a seguinte conversa:


Quando um homem começa a aprender, ele nunca sabe muito claramente quais seus objetivos. Seu propósito é falho; sua intenção, vaga. Espera recompensas que nunca se materializarão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem. Devagar ele começa a aprender... a princípio pouco a pouco, e depois em porções grandes. E logo seus pensamentos entram em choque. O que ele aprende nunca é o que ele imaginava, de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. E a cada passo da aprendizagem o medo torna-se maior. Seu propósito torna-se um campo de batalha.

E assim ele se depara com o primeiro de seus inimigos naturais: o MEDO! Um inimigo terrível, traiçoeiro e difícil de vencer. E se o homem, apavorado com sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca.


- O que acontece com o homem se ele fugir com medo?

Nada lhe acontece, a não ser que nunca aprenderá. Nunca se tornará um homem de conhecimento.

- E o que pode ele fazer para vencer o medo?

Não deve fugir. Deve desafiar o medo dando passos à frente. Deve ter medo, plenamente, e no entanto não deve parar. E chegará um momento que o inimigo se recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito torna-se mais forte e aprender já não é mais uma tarefa aterradora. Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque, em vez do medo, ele adquiriu a clareza. Uma clareza de espírito que apaga o medo. O homem sente que nada lhe oculta.

E assim ele encontra seu segundo inimigo: a CLAREZA! Essa clareza que elimina o medo também cega. A clareza dá ao homem a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. Ele é corajoso porque tem clareza e não pára diante de nada. Mas tudo isso é um engano. Vai precipitar-se quando deveria ser paciente, e vice-versa. E tateará com a aprendizagem até acabar incapaz de aprender mais qualquer coisa.

- O que acontece com um homem que é derrotado assim?

Seu inimigo impede de torná-lo um homem de conhecimento; em vez disso, torna-se um guerreiro valente ou um palhaço "sabe-tudo".

- O que o homem precisa fazer para vencer a clareza?

Para vencer a clareza o homem tem que utilizá-la só para ver e medir com cuidado antes de dar novos passos, pois acima de tudo sua clareza é quase um erro. E virá um momento que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. Ele saberá a essa altura que o poder que vem buscando há tanto tempo é seu, enfim.

E assim ele encontra seu terceiro inimigo, o PODER! O poder é o mais forte de todos os inimigos. E naturalmente a coisa mais fácil é ceder, afinal de contas, o homem é realmente invencível. Ele comanda; começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras, porque é um senhor. Um homem nesse estágio quase nem nota seu terceiro inimigo se aproximando. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso.

- E como o homem pode vencer seu terceiro inimigo?

Tem de desafiá-lo. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido, na verdade, nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado, e saberá como e quando utilizar o poder. Assim terá derrotado seu terceiro inimigo.

O homem estará então no fim de sua jornada do saber, e sem quase perceber encontrará seu último inimigo: a VELHICE! Este é o mais cruel de todos, o único que ele não conseguirá derrotar completamente, mas apenas afastar. É um momento em que todo o seu poder está controlado, mas também o momento em que ele sente um desejo irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se afundar na fadiga, perderá sua última batalha. Seu inimigo o reduzirá numa criatura velha e débil.

Mas se o homem sacode sua fadiga, e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente.


Saturday, 28 February 2009

Frango Português

Uma receita suculenta que aprendi num livro de receitas e fiz esta semana (duas vezes!). Utiliza ingredientes básicos da culinária portuguesa. Muito recomendado!

Ingredientes:

1kg de coxas e/ou sobrecoxas de frango;
1 pimenta vermelha fresca picada finamente (sem as sementes);
1 colher (sopa) de páprica;
3 dentes de alho picados;
2 colheres (sopa) de sal;
½ xícara (125ml) de suco de limão;
2 colheres (sopa) de óleo de oliva;
1 colher (sopa) de orégano;


Modo de preparo:

Misture todos os condimentos num recipiente e espalhe por cima do frango. Cubra e guarde na geladeira por no mínimo 12hrs para ficar bem marinado. Leve ao forno alto (200c) por 30min ou até ficar assado no ponto. Sugestão: sirva com spaghetti ao sugo.





Thursday, 12 February 2009

Um passeio na Lua

Semana passada eu e a minha namorada fizemos o Tongariro Alpine Crossing, uma caminhada de 8hrs (18kms) que passa pelos vulcões Mt. Tongariro (1978m) e Mt. Ngauruhoe (2291m). É considerada a melhor trilha de um dia da Nova Zelândia e considerada por muitos uma das Top 10 do mundo. O melhor adjetivo para definir o lugar é: LUNAR.

Para fazer a caminha é necessário providenciar transporte pois a trilha termina do outro lado da montanha. A maioria dos hotéis, lodges e backpackers da região possuem micro-ônibus ou vans que por em média NZ$30 te deixam no início da caminhada pela manhã e vão buscar do outro lado da montanha do fim do dia. A única facilidade que a trilha oferece são uns poucos banheiros no decorrer do caminho. É preciso levar comida e muita água. Além de jaqueta impermeável, toca e roupas quentes, pois o tempo muda muito rápido lá em cima e é imprevisível. Embora exista vários córregos de água "limpinha" no caminho, não é recomendado beber daquelas águas, pois contém índices elevados de enxofre, sílica e outros resíduos vulcânicos.


O ônibus nos deixou no estacionamento no início da trilha às 8:30. Ficamos espantados com a multidão. Imagino que haviam mais de mil pessoas fazendo o caminho naquele dia. Só do nosso backpacker eram umas 40. A caminhada é muito popular durante o verão mas não sabia que era tanto. No começo da caminhada haviam várias nuvens nas montahas e não era possível ver o cume dos vulcões. Depois de mais ou menos 1 hora de caminhada o tempo começou a limpar e tornou-se um perfeito céu azul para todo o resto do dia. Foi quando foi possível avistar bem de perto o Mt. Ngauruhoe, que tem uma forma de cone perfeita, que sempre imaginamos quando pensamos em vulcões. Já o Mt. Tongariro é uma bagunça de vários vulcões e crateras que já explodiram, juntaram-se com outras, etc. Pelo camiho há muitas áreas com lava de antigas erupções. A formação destas rochas é porosa e muito interessante.


A partir dali a caminhada começa a ficar mais difícil, uma subida muito íngrime e longa até chegar numa área plana onde há uma trilha secundária que leva ao topo do Mt. Ngauruhoe. São mais 3hrs de caminhada até lá em cima. Essa vai ficar para uma próxima. Ir lá em cima e depois voltar para o início da trilha. Nem vai precisar pagar ônibus!

Para os fãs de O Senhor dos Anéis: O Mt. Ngauhuroe é o Mt. Doom do filme, e várias cenas do filme foram filmadas no Tongariro National Park. As erupções que aparecem no filme são CGI, obviamente.

A partir deste momento na caminhada é que as coisas começam a se tornar lunares. Passamos por uma grande área plana de chão batido de cor amarelada, que parecia um deserto. De lá a vista do Mt. Ngauruhoe fica mais bonita a cada passo. Depois desta parte fácil de caminhar vem mais uma subida muito íngrime e também escorregadia, que leva ao ponto mais alto da caminhada, 1886m. Lá de cima percebemos que aquele "deserto" é nada mais nada menos do que uma cratera gigante! A vista é simplesmente incrível. Dali também há uma trilha que leva ao cume do Mt. Tongariro, mas decidimos continuar na trilha principal. Muitas pessoas pararam lá em cima para comer mas decidimos ir andar um pouco mais para depois parar e almoçar.


E então chegamos na Red Crater. Um buraco enorme e com uma coloração vermelha e verde-escuro, e dali a trilha começa a descer rumo ao Emerald Lakes (Lagos de Esmeralda), não precisa explicar o porque do nome, é só ver as fotos para entender. E lá paramos e fizemos nosso lanche. Hora de parar e tirar as pedras do sapato e contemplar aquela maravilha de lugar. Ao mesmo tempo que é desolado e sem vida, também é de muita natureza, com todas aquelas formas, cores e texturas. Um lugar que se transformou intensamente durante milhões e milhões de anos, e ainda se tranformará!


A trilha continua por mais uma área plana ainda maior, que é a Cratera Central. Após atravessá-la e começar a subir, percebemos que o ponto mais alto da caminhada onde estávamos antes é o cume de um vulcão que explodiu! E abriu um buraco gigantesco. E no meio da Cratera Central há uma enorme área de lava e é possível ver que foi resultado de uma erupção da Cratera Vermelha. Neste momento é possível ver as três montanhas do parque alinhadas: Mt. Tongariro, Mt. Ngauhuroe e mais ao fundo, ainda com um pouco de neve, Mt. Ruapehu (2797m). Todos são vulcões ativos, sendo que o último citado teve duas grandes erupções em 1995 e 1996 e também uma mini-erupção ano passado e ainda encontra-se em estado de alerta.


Depois de uma pequena subida chegamos no Blue Lake, um lago enorme lá em cima da montanha, provavelmente também uma cratera. Após o lago a trilha começa a descer, é hora de se despedir da paisagem lunar, mas a caminhada ainda não terminou, há muito chão ainda pela frente. Após passar por entre duas montanhas temos a sensação de estar "fora" do complexo vulcânico. A partir dali a vegetação começa a aparecer novamente à medida que a trilha vai descendo. E também é possivel ver o Lake Taupo de lá de cima. Passamos por uma Hot Spring (fonte de água quente) e a água é quente mesmo, e com aquele cheiro característico de enxofre, que lembra ovo podre, que lembra peido. No final a trilha entra no meio da floresta e é um alívio para nós, ter um pouco de sombra pois o sol estava matando. Nesta hora meus pés já estavam doendo muito e só queria que terminasse logo. Depois de uma longa caminhada no mato chegamos no estacionamento do outro lado da montanha. Ali esperamos nosso ônibus e terminamos nossa aventura. Levamos exatamente 8hrs para percorrer toda a extensão da trilha.

Nem precisa dizer, recomendadíssimo para todos que viajam para a Nova Zelândia. O Tongariro National Park fica bem no centro da Ilha Norte, 330km ao sul de Auckland e mais ou menos uma hora e meia de Taupo. Há muito o que fazer na área. Dentre as principais atividades está a famosa 42nd Traverse, uma trilha de mountainbike gigantesca. E durante o inverno e primavera é possível fazer ski/snowboard em duas estações localizadas no Mt. Ruapehu. E há rafting, bungy-jump, sky-diving, vôos panorâmicos e muito mais. É diversão garantida o ano inteiro!

E aqui estão mais algumas fotos do crossing.


Veja também: Subindo o Vulcão