Wednesday, 16 April 2008

2012

Estava aqui limpando camarão e pensando nas formas de vida do mar. Me lembrei dos navios japoneses que vem aqui nos mares do sul caçarem milhares de baleias por ano e alegam terem autorização de captura para "fins de pesquisa". Para pesquisar novos menus nos restaurantes, imagino. O Peter Garret do Midnight Oil e agora também ministro do meio ambiente da Australia tá puto da cara. Alguma coisa vai ser feita a respeito, tomara. E a nossa Amazônia? O nosso presidente disse há um tempo atrás que não precisamos nos preocupar tanto, o desmatamento da nossa selva não está tão acelerado assim. Tenho um recado para você Luis Inácio, e tomara que isso chegue à você de algum modo: VAI TOMAR NO TEU CÚ!

Segundo a cultura Maia, no final de 2012 fecha-se um ciclo de 5125 anos e a partir daí começa-se uma nova fase de consciência humana. Há muita controvérsia nesse assunto e pode ser que não aconteça nada. O que acho é que do jeito que o mundo está se acabando, a Antártida derretendo, secas, aquecimento global, previsão de escassez de petróleo, pode acontecer de haver uma grande consciência mundial para salvarmos nosso planeta e economizarmos os recursos naturais, ou não. Tem muito binarda no mundo, principalmente no poder. Alguém lembra do Live Earth do ano passado? A maioria não lembra mais. Passou aqui na tv da Nova Zelandia a Xuxa cantando Ilariê no Rio e falando para pensarmos positivo, só pensar, energia positiva e o mundo vai se salvar... patético. Tu também Xuxa, vai tomar no cú. Sim, estou brabo, e com a testa franzida.

Não sei onde estarei em 2012 e não sei o que estarei fazendo. Não sei se isso é bom ou ruim, eu gosto do desconhecido. Quero estar bem, só isso que sei. E quero ver se alguma coisa vai realmente acontecer. Eu acredito que possa acontecer sim, quem sabe? Temos que viver mais 4 anos para saber.

Tuesday, 1 April 2008

WWOOF e viagem

WWOOF (World Wide Opportunities on Organic Farms) iniciou-se no Reino Unido em 1971 e três anos mais tarde chegou na Nova Zelândia e hoje encontra-se presente em vários países do mundo (especialmente no "primeiro mundo", mas também em lugares como India, Israel, Uganda e inclusive Brasil). WWOOF permite voluntários a se hospedar em fazendas orgânicas e ajudar em vários projetos na propriedade ao mesmo tempo aprendendo técnicas orgânicas e auto-sustentáveis. Existem mais de 800 membros registrados no WWOOF na NZ.

Segundo o guia do WWOOF, os principais objetivos deste movimento são:

- Viabilizar pessoas a aprenderem em primeira mão técnicas de cultivo orgânico;
- Habilitar pessoas que moram na "selva de pedra" a experimentar a vida numa fazenda;
- Mostrar meios alternativos de se viver;
- Aumentar o movimento pró-orgânico no mundo;
- Encorajar o movimento para sermos auto-suficientes;
- Conhecer pessoas interessantes de diferentes países e fazer amizades e contatos úteis;

O termo "fazenda" pode muitas vezes significar outros lugares tais como: lojas orgânicas, pousadas, restaurantes, templos buditas ou simplesmente pessoas que em suas casas procuram viver organicamente e gostam de conhecer novas pessoas. Aqui na NZ algumas WWOOF Farms são totalmente auto-suficientes, geram energia através do sol e do vento, obtém água pura da nascente, cultivam todos os vegetais que consomem e tem animais que suprem ovos, leite e carne. Não é lindo? 100% auto-suficiente e 100% livre de sprays!

Basicamente as pessoas ficam na fazenda por quanto tempo quiserem, à combinar com o proprietário, normalmente uma ou 2 semanas e trabalham em média 4 a 5 horas por dia, trabalho em geral leve, 5 ou 6 dias por semana e ganham acomodação e comida em troca. Tornam-se membros da família e grandes e sinceras amizades são construídas.

Na primeira vez que ouvi falar disso pensei: Isso é só para pessoas que querem viajar barato ou estão mal de grana, ficam internadas no meio do mato, passando mal. Mas não é verdade. É óbvio que tem vários lugares que são terríveis, eu tive a experiencia em um deles. Mas a questão é analisar o livro, tem a descrição dos lugares, um texto elaborado pelos proprietários. Dá para sentir como será o lugar. E se não estiver gostando é só ir embora. Fiquei em 5 lugares diferentes e deles somente um foi ruim. Do resto, só posso contar coisas boas tais como ter feito a melhor surf session aqui na nz e talvez uma das melhores da minha vida! Ficar "de rei" hospedado numa pousada beira mar só eu e minha gata, caiaques, com lareira e uma cama rústica gigantesca e muito confortável e com a lua formando seu rastro no mar tarde da noite na janela do quarto... Poder conhecer uma família maravilhosa em Gisborne que nos acolheu e nos ajudou tanto em tantas coisas que nem dá pra contar... Muitas expêriencias são trocadas, muitas coisas aprendi.

Outra coisa interessante é que desse modo convive-se com pessoas do país, e assim aprendemos um pouco de sua cultura, costumes, etc, diferente de somente ficar em backpackers e hotéis com outros estrangeiros e achar que está realmente conhecendo o país. Quero dizer que viajar um país não é somente ir lá no monumento e tirar foto, fazer os pacotes turísticos, ir no museu e dar pipoca aos macacos. Conhecer o povo do país é tão importante quanto ver as suas atrações. Faz você entender porque o país é daquele jeito, porque as pessoas são e agem às vezes diferente de nós. Pesquisar um pouco da história do país antes de ir também ajuda.

E viajar sem nada programado também é muito legal, não saber se vai pegar a estrada sentido norte ou sul, não ter idéia do que vai acontecer e onde estará amanhã. Deixar rolar, se estiver bom fique mais alguns dias, senão prossiga o caminho, sem pressa, curtindo! E você vai saber quando é hora de voltar pra casa. É assim que venho fazendo. Óbvio que também tenho que trabalhar, precisamos de dinheiro neste mundo em que vivemos.

Recomendo à todos que se um dia tiverem a oportunidade de fazer um WWOOF, que façam, sem medo. Vai ser uma experiência muito legal e também um grande aprendizado.