Monday, 25 August 2008

Observações Olímpicas

Alguns fatos dos jogos olímpicos de Beijing que me chamaram a atenção:

Al-Gassra RoqayaAl-Gassra Roqaya: Atleta do Bahrain que competiu no atletismo 200m rasos. Por ser muçulmana ela tem que competir com o corpo todo coberto, pois Allah disse que toda mulher só pode mostrar o corpo para seus familiares próximos e ao seu marido, caso contrário vai para o inferno. Quem não lê o Alcorão e não reza cinco vezes por dia voltado para Meccah também vai para o inferno. Então que eu vá para o inferno mesmo, pois pelo menos lá toca rock and roll. Ela foi eliminada nas semifinais apesar de ter vencido algumas corridas nas fases iniciais.

Mahe Drysdale: O neo-zelandês tri-campeão mundial de remo na classe individual era um dos favoritos para a medalha de ouro. Mas na última semana de competição ele contraiu uma salmonela e ficou altamente desidratado e fraco, perdeu 4kg em apenas dois dias. Foi disputar a semi-final passando mal mas conseguiu se classificar. Três dias mais tarde na final ele ainda não tinha se recuperado totalmente e chegou a estar liderando a prova, e à menos de 100m do final ele simplesmente esgotou todas as forças, mas ainda consegui terminar em terceiro. Ele teve que ser retirado da água pelos paramédicos e levado para check-up, mas retornou minutos depois para receber a medalha de bronze no pódio junto com os demais atletas.

Seleção Brasileira Masculina de Futebol: Puta que pariu hein!

Estados Unidos: Como são otários! Não admitem ficar em segundo lugar. Por isso eles consideram o total geral de medalhas mais importante do que o número de ouros. Websites como o da NBC mostram os EUA em primeiro lugar no ranking. Eu acho que o mérito está todo no atleta que ganhou o ouro, por isso que o ranking é ordenado assim, ou seja, ordenado pela quantidade de campeões que cada país produziu. Estão admitindo o quão loser eles são, pois é o país que mais tem pratas = país que mais perdeu na final. E se é assim que eles acham que funciona, então o Micheal Phelps não é o maior atleta da história porra nenhuma. A atleta de ginástica olímpica Larissa Latynina da Ucrânia (na época União Soviética), é a maior medalhista da história com 18 medalhas (9 ouros, 5 pratas e 4 bronzes). Phelps fica em segundo lugar com 16 (14 ouros e 2 bronzes), talvez nos próximos jogos ele assuma o primeiro lugar. Valeu rodrigao.net pela ajuda nessa aqui.

Natalie du Toit: Pela primeira vez na história das olimpíadas um atleta amputado participa de um evento junto com os demais. A nadadora sul-africana que perdeu uma das pernas num acidente de carro em 2001 competiu na maratona de 10km e terminou na 16ª posição, à frente de oito competidoras. Ela terminou em quarto lugar no campeonato onde consegui o índice olímpico para participar desta prova. Medalhista nas Para-Olimpíadas de Atenas em 2004, ela também buscará mais medalhas em Setembro quando competirá nos jogos Para-Olímpicos de Beijing.

Jorgen Persson: O sueco de 42 anos representa seu país no tênis de mesa nas olimpíadas desde que o esporte foi incluído nos jogos de 1988 em Seoul. Apesar de ter vencido vários campeonatos mundiais, individuais e duplas, jamais conseguiu uma medalha olímpica. Ele foi para Beijing não sendo favorito e acabou nas semi-finais com outros 3 chineses, que são no momento os três melhores do mundo no ranking. Acabou em quarto lugar, asissti o a semifinal e foi um belo jogo, com muita velocidade e técnica.

Mark Todd: Mais velhão que o sueco é o neo-zelandês Mark Todd de 52 anos, que compete no hipismo desde os jogos de 1984 em Los Angeles. Possui 2 ouros, uma prata e dois bronzes em sua carreira olímpica. Não teve um bom desempenho este ano.

BMX: Eu achei muito legal que este esporte agora faz parte dos jogos olímpicos. Muita ação e quebraceira!

Angel Valodia Matos: O lutador de taekwondo cubano que pode ser banido para sempre de competições internacionais por ter dado um chute na cara do juiz. Nada justifica este ato, e se ele estava em condições de luta, por que demorou tanto tempo para se levantar? Feio....

Cerimônia de encerramento: Muito bonita, com muitas cores, fogos de artifício e o Jimmy Page velhão mandando Whole Lotta Love. E deu pra sentir que o espírito dos jogos de Londres será bem urbano e moderno, ao contrário deste que também foi moderno, mas ao mesmo tempo fez com que a história do país fizesse parte dos jogos.

Fiquei triste quando a chama se apagou, é a hora em que me dei conta que os jogos realmente terminaram. Agora são mais quatro anos para tudo acontecer novamente. Achei que o desempenho geral do Brasil foi bom, apesar de poder ter ganho pelo menos 4 ouros a mais no futebol, vôlei e vôlei de praia. A Nova Zelândia também ficou dentro do que era esperado, com 3 ouros, 1 prata e 5 bronzes.

Thursday, 14 August 2008

Um velho desabafo

A recente indignação pela atitude da imprensa que publica artigos sem pensar duas vezes me fez lembrar de uma edição de alguns anos atrás da revista Viagem que tinha uma reportagem sobre a Nova Zelândia. O título da matéria era "Chiclete com Kiwi". O cara que escreveu isso tem que ser muito idiota, pois nem ao menos conhece a riqueza da música e da cultura do seu própio país.

Chiclete com Banana para que não sabe é uma música do Gilberto Gil onde ele conta a mistura do samba brasileiro com o rock do Tio Sam e cria o Samba-Rock, e assim mistura o chiclete americano com a banana brasileira. Então um título mais adequado para a matéria da revista seria "Banana com Kiwi". Antes de fazer piadinha é bom pesquisarmos um pouco melhor. Eu procuro pesquisar o que eu falo antes de publicar aqui no blog, embora eu acredito que já tenha falado merda também. Mas a diferença é que eu não sou profissional, e não recebo salário para publicar asneiras e ficar alimentando leitores com informação errada. Além disso a reportagem foi muito fraquinha, 14 dias na Nova Zelândia e nem foi e nem citou vários lugares que são um must-do do país. Uma pena que não tenho mais a revista e não consegui achar a matéria na web-page deles.

Talvez para ele Chiclete com Banana não significa nada mais, nada menos do que aquela banda de axé. Esta bosta, pagode e funk são a vergonha cultural de nosso país. A única música de axé que eu gosto é Carolina IV do Angra... axé-metal!!!

Thursday, 7 August 2008

Sobre as Olimpíadas

Estava aqui navegando na internet no site oficial das olimpíadas, wikipedia e outros, assim como a maior parte do mundo deve estar fazendo também. E descobri que o cricket já foi esporte olímpico, somente em uma única olimpíada, em 1900 em Paris. E existe um movimento para que incluam este esporte em Londres 2012. Tomara que não!!!

E outros esportes como rugby, golf, hóquei no gelo já fizeram parte das Olimpíadas Modernas. Agora, o que mais me chamou a atenção foi que o cabo de guerra (tug of war) já esteve nas olimpíadas, de 1900 à 1920, sendo que a Grã-Bretanha foi quem mais acumulou medalhas. Esta é uma foto dos jogos de 1904 em Saint Louis, EUA.



Que viagem, parece gincana!

Monday, 4 August 2008

Niue, the WiFi-Nation

Poucos sabem onde fica Niue, eu mesmo nem sabia que existia até pouco tempo atrás. Trata-se de uma ilha do Pacífico Sul, localizada entre Tonga, Samoa e Cook Islands e possui associação livre com a Nova Zelândia, ou seja, compartilha a mesma moeda, legislação, e governo (embora tenha seu próprio líder e parlamento independentes). É um atol minúsculo e por isso uma das menores nações no mundo com apenas 260km² e população de somente 1679 pessoas, pois muitas delas migraram para a Nova Zelândia em busca de uma vida melhor, especialmente depois do ciclone Heta ter destruído boa parte da ilha em 2004.

Mas o que me fez escrever sobre Niue é o fato de ser o primeiro país a ter internet WiFi gratuita à disposição de toda a população e visitantes, totalmente free desde 2003. Serviços de email gratuito já eram disponíveis na ilha desde 1997. Tudo isso graças ao incentivo da Niue Internet Users Society, a mesma que controla o domínio .nu e o único ISP no país.

Num país pequeno e isolado, onde vive-se ou das plantaçoes de baunilha, ou dos milionários que gastam dinheiro quando param na ilha com seus iates nos seus passeios pelas ilhas polinésias, a idéia foi muito bem vinda. Principalmente pelo fato de que os cabos telefônicos convencionais são facilmente danificados por diversos fatores naturais, como os já citados ciclones todo ano entre Novembro em Março, maresia, raios e umidade e por isso frequentemente os moradores ficam sem telefone. Com internet free a população tende a utilizar o computador como principal meio de comunicação. E também facilita o turismo na região pois disponibiliza o recurso à todos os turistas que chegam na ilha, inclusive o tiozinho do iate.

Já existe nos EUA conversas políticas e movimentos em favor da disponibilização de internet wireless de alta velocidade gratuita para uma vasta área do país. Maiores informações em freebroadbandnow.org. Acredito que num futuro breve internet free estará disponível em vários países do mundo, pois é um grande motivador para a inclusão digital, principalmente nos subdesenvolvidos. O objetivo é tornar o acesso à internet tão público e gratuito quanto ao acesso à TV aberta. Eu rio de mim mesmo quando tinha que pagar 35 pila pro Terra todo mês para ter aquela conexão de merda de 27kbps. Aqui eu pago para ter broadband em casa, mas antigamente eu costumava filar internet wireless de uma lojinha aqui no centro da cidade, onde a rede não tinha senha. Foda era ter que arrumar estacionamento exatamente na frente da loja pra conseguir sinal... foda.

Friday, 1 August 2008

Sobre a Nova Zelândia

Atendendo à pedidos aqui vão duas curiosidades sobre a Nova Zelândia:

A Nova Zelândia possui dois hinos nacionais oficiais, um deles é o famoso hino oficial do Reino Unido God Save The Queen (mostrando a forte influência da coroa inglesa sobre o país ainda nos dias de hoje). Países como Canadá, Austrália, Jamaica, Bahamas e Tuvalu atribuem ao mesmo hino status real (royal) no país, além de terem o seu próprio hino oficial.

O outro hino oficial da Nova Zelândia chama-se God Defend New Zealand e surgiu a partir de um poema e posteriormente composta a melodia em 1876. O hino constitui-se de cinco versos, todos em inglês, e também traduzidos em Maori e pode ser cantado nos dois idiomas. Normalmente em jogos o hino é cantado em inglês e Maori, e somente o primeiro verso (versão simplificada):
E Iroā Atua,
O ngā iwi mātou rā;
Āta whakarongona,
Me aroha noa;
Kia hua ko te pai
Kia tau tau atawhai;
Manaakitia mai
Aotearoa

God of Nations at thy feet
In the bonds of love we meet;
Hear our voices we entreat;
God defend our free land;
Guard Pacific’s triple star;
From the shafts of strife and war;
Make her praises heard afar
God defend New Zealand.
A outra curiosidade é que os jogadores realizam o Haka antes das partidas, especialmente no Rugby. Haka é uma dança Maori que possui diversas variações, podendo ser utilizada em vários momentos tais como festivais, celebrações, e nas guerras com tribos rivais com o objetivo de intimidar o inimigo. E este é o motivo pelo qual o All Blacks (seleção Neo-Zelandesa de Rugby) o faz a cada partida.